26 maio 2009

Ditados de uma geração na (em) crise II


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Acho que a gente tem um problema de timming.
(Você é analógica... eu sou digital.)

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9.10.2008 - 16h20

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Cheiro de grama cortada, bem verde. Cheiro, luz, humidade e o barulho das folhas secando.
Gosto deste parque.
Ao longe uma buzina. A 10 metros um home run. Um senhor de cabelo branco deitado na grama estica suas pernas confortavelmente e descansa sua cabeça sobre os seus tênis. Música no shuffle, é claro.
Muitas crianças aprendendo a andar. Muitos adultos reaprendendo a só deitar na grama.
Um "oui" aqui, uma carruagem acolá. Uma maçã meio mordida, um freezbe descontrolado, esquilos subindo e descendo em árvores e uma noiva chinesa de mão dada com o seu prometido; linda, montada e virgem... calçada em seus melhores pares de nike.
A luz já está indo embora e a sombra já chegou em mim. Acho que é hora de ir.


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20 maio 2009

às terças (ou o primeiro beijo)

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Este é o primeiro beijo da arte ocidental. Não é incrível?!

Em primeiro plano estão Sant´Ana e São Joaquim (para os ateus: pai e mãe da pobre Virgem Maria) em representação de uma passagem do Evangelho apócrifo de S. Tiago onde os dois se reencontram depois de 30 dias separados. O encontro é dos mais tenros: mãos, olhos e bocas se confundem e preenchem nesse espaço os vazios numa composição forte (quase piramidal) sem a alteração dos tamanhos dos personagens (os protagonistas eram representados em maior tamanho que os secundários).
O "Encontro de São Joaquim e Sant'Ana", faz parte dos afrescos da capela de Scrovegni, na Arena de Pádua, e é considerado por unanimidade como o expoente máximo da maturidade artística de Giotto.
Aliás, falando nele... Giotto foi um cara importante.
É com ele que as figuras humanas começam a adquirir uma individualidade imagética diferente de tudo que tinha sido produzido na arte bizantina até então(figuras planas quase pictóricas sem nudez, volume ou dimensões). Ele levou à pintura a narrativa pelo gesto, pela expressão que não era cogitada desde que o conceito de beleza greco-romana caiu por terra com a ascensão da Igreja Católica (império cristão, na verdade). Quer dizer, o que o cara fez, basicamente, foi usar o que ele tinha a seu favor de forma inteligente. Todos os corpos continuavam cobertos, mas o movimento foi resgatado através das pregas dos tecidos, da sombra, do claro-escuro que concede VOLUME e maior naturalidade à representação. Demais.
Ele também deu uma atenção especial aos olhares, às expressões à troca entre os personagens... ou seja, ele “contava historinha” a sua maneira.
Tudo isso pode parecer bem "inocente" aos nossos olhos inundados de tantas referências visuais/virtuais, mas se pararmos pra pensar que a arte naquele então era a única mídia existente (e que não necessariamente tinha uma áurea de sacralidade por ser “arte”)... o cara revolucionou.
Imaginem o que era isso! Em um mesmo lugar tinha-se que dar espaço à tudo: troca de favores políticos, o didatismo necessário que a igreja exigia, à técnica e ao toque genial da junção da “fórmula” com o talento.

E nóis twuitando. Afe.


O espaço, como se vê, é absolutamente simbólico. As proporções são de mentirinha e tudo parece uma grande (pequena) maquete. Nada por acaso: pra se virar nos 30, ele tinha que mostrar o óbvio, por isso a arquitetura e as paisagens parecem cenários, papéis de parede para A grande encenação teatral dos seus rostos e expressões. Espertinho.

Os renascentistas que vieram depois, cheios de marra e certezas, consideraram Giotto um pintor primitivo, involuído. Que bom que à história deu-se o papel de consertar algumas bobagens.

Ufa.


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16 maio 2009

da série "coisas que me fazem bem - volume II"

Amo, amo as "não-fotos" e os momentos "péra! tá gravando!". A pose fica lá... por alguns segundos quietinha esperando um clic libertador.

Normalmente manda-se o fotógrafo `a merda e a foto de verdade nunca é tão fofa quanto o vídeo errado. Confira.






"Agora vai, sorriam!"



Aqui já tem aquele sorrisinho meio seco que sempre acaba entortando a boca e faz vc SABER QUE VAI sair péssima na foto.


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15 maio 2009

da série "Coisas que me fazem bem - volume I"



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Essa é uma das minhas vistas preferidas da vida. Já sentei nessa janela por hoooras a fio e essa imagem já é um daqueles pequenos cuts que vão passar como filme na hora da minha morte.

Mãe? Pai? Check!
I Dit It My Way de trilha? Check!
Textura 8mm? Check!
Piscina de bolinha,? Check!
Sobrinhos, a Lady, guerra de cuspe com a Patri e luta livre com o Fran, risadas e aquele pôr-do-sol de 2001 que eu prometi nunca mais apagar do meu cérebro? Check!

Esse pedacinho de pinheiros/perdizes, esse bendito quarteirão onde já me roubaram dois carros, uma camera, 10 horas de TCC e algum resto de dignidade `as 6 da manhã… é tão familiar aos meus olhos que fico até com saudade.
Estar diante desses prédios pálidos de céu curto e árvores apertadinhas significa estar em uma das melhores companhias e em um momento de afeto sempre grande.
O quarto da Thata tem uma parede que flica (flika?) em vermelho e azul, um baú amarelo, livros, quadros, fotos, mais livros e uma cama colada ah janela. Naquela cama onde sentamos para papear, rir muito (muito), chorar, ler e calar… eu me sinto muito bem e presente.
A porta e toda aquela sua manha de fechar, os beatles balançando atrás, e aquelas fotos que só grandes amigos são ainda capazes de guardar (e olhar). Tem um toque só dela, e detalhes que não percebe “mimar” que fazem toda a diferença. As cartas da clau, os poemas daquele outro, as redações que ganharam conrcursos. Ela lê, entona, choramos de rir. Falamos das desgraças, contamos um causo de "café da firma", elogiamos aquele garibe, repassamos as novidades do front e terminamos sempre com um "tchau, passarinha".

O tempo é tão leve, passa, vai. Ela faz as coisas parecerem mais simples, até de longe.

Saudades, Douglas!

08 maio 2009

27.9 - 06h40

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Engraçado. Não foi nem pq. eu tenha lembrado da sua pergunta (sobre o 1o. cheiro) mas assim que saí da imigração, ou melhor, da vistoria das malas na alfândega (pq aparentemente uma mulher viajando sozinha just for fun é um potente alvo de prostituição)... senti aquele cheiro de Miami. Aquele mesmo do aeroporto, do táxi, dos malls. Acho que é uma mistura de café aguado com bagel, mas ao mesmo tempo um toque de "gente" com humidade. Quando é que esses americanos vão desistir de colocar carpete em tudo?
A viagem foi cansativa. (uou! esta folha é realmente incrível de escrever!!!) Uma pobre senhora, sentada há uma poltrona de mim, passou mal e foi socorrida dentro do banheiro, que humilhação. Pressão baixa e cara de cu dentro de um cubículo. O marido, que não parava de gravar tudo e todos, ficou preocupado e pediu para a atendente chamar um médico pelo alto-falante (isso tem hífen?). Ele e ela tinham a maior cara de solidão do mundo, mesmo de mãos dadas.

na revista:
"Na tua ausência me perco na liberdade que só a solidão pode oferecer."


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07 maio 2009

linha de chegada

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Ela 1: - E aí amiga, hay garibes?
Ela 2: - Ah, o Jefferson... né?
Ela 1: - Correndo por fora...?
Ela 2: Não, nem isso. Tá com o motor engasgado.
(risos)
Elas: ...
Ela 1: - Mas será que não resolve uma chupeta?
(risos, risos, risos)


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04 maio 2009

unidunitê

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Um texto didático e pontual sobre o "vazio". Vale muito a pena ler na íntegra aqui, mas separei o que considero mais esclarecedor.


"Imagine a day in the life of a couple you probably know. He’s 27 years old, and she’s 26. They wake up beside each other in his downtown bachelor apartment and have sex that neither of them particularly enjoys. They’ve been sort-of dating for a while now, but they’re not willing to commit to each other: he likes her, but doesn’t know if he always will. She can’t decide if she likes him more or less than the other two guys she’s sleeping with.

He bikes to work at an advertising agency, where he uses his master’s in English to proofread ad copy, and spends several hours reading music blogs and watching movie trailers, periodically Twittering updates about his workday to his 74 followers. He doesn’t really hate his job, but feels as if his skin is crawling with vermin most of the time that he’s there, so he has a plan to move to Thailand, or to maybe write a book. Or go to law school.

At her government job, she instant messages her friends and mostly ignores the report she’s drafting because she’s planning on quitting anyway — and has been planning to quit for about a year now. She spends her lunch hour buying boots that cost slightly more than her rent, then immediately regrets it.

He listlessly works through lunch, then goes to the bar after work to meet up with some university friends, where they talk about their jobs and make ironic jokes about other people. Back at home, he wonders why he feels so gross and empty after spending time with them, but it’s mostly better than being alone.

She walks to the house that she shares with three friends and spends a few more hours on celebrity gossip websites, then clicking through the Facebook photos of girls she knew in high school posing with their husbands and babies, simultaneously judging them and feeling a deep pit of jealousy, and a strange kind of loss. “When did this happen for them?” she wonders.

They both eventually fall asleep, late and alone, each of them wondering what it is that’s wrong with them that they can’t quite seem to understand.

This phenomenon, known as the “Quarterlife Crisis,” is as ubiquitous as it is intangible. Unrelenting indecision, isolation, confusion and anxiety about working, relationships and direction is reported by people in their mid-twenties to early thirties who are usually urban, middle class and well-educated; those who should be able to capitalize on their youth, unparalleled freedom and free-for-all individuation. They can’t make any decisions, because they don’t know what they want, and they don’t know what they want because they don’t know who they are, and they don’t know who they are because they’re allowed to be anyone they want.

When a contemporary 25-year-old’s parents were 25, they weren’t concerned with keeping their options open: they were purposefully buying houses, making babies and making partner. Now, who we are and what we do is up to us, unbound to existing communities, families and class structures that offer leisure and self-determination to just a few. Boomer and post-boom parents with more money and autonomy than their predecessors has resulted in benignly self-indulgent children who were sold on their own uniqueness, place in the world and right to fulfillment in a way no previous generation has felt entitled to, and an increasingly entrepreneurial, self-driven creation myth based on personal branding, social networking and untethered lifestyle spending is now responsible for our identities."


O texto fala basicamente sobre os efeitos dos vintepoucos; incerteza, dúvidas, medos... e (eu sempre bati nessa tecla) EXCESSO DE OPÇÕES.

Eu nunca fui muito a favor dessas teorias coletivas de gerenciamento de decepções. Por exemplo: "ah, tudo bem, é culpa da crise dos vintepoucos... já já passa". My ass. Nêgo adora um neologismo, uma sigla (eu sou DDA, eu tenho TOC) ou uma simples matéria comportamental na Veja dessa semana para definir padrões, até os irregulares. Padrões irregulares, como os verbos, são difíceis de estruturar e encaixar no contexto quando não se sabe sua flexão (alias: flexibilidade).

Dou o braço a torcer, porém, e retomo uma criteriosa observação sobre o que já podemos chamar de "2009-cursado". Segundo uma amiga, a Lívia, alguma fucking lua deve estar retrógrada, reticente ou reincisiva nessa merda cármica de 2009. Particularmente, 2008 foi pior, mas este ano letivo não tá dando brecha pra ninguém, não. Separações, divórcios, volta para a casa dos pais, desilusões, perdas, choros engasgados em pistas de dança e sexo, drogas e rock'n'roll vazios... gentê, o fauno tá solto! Pq hoje em dia nem as bruxas estão dando conta dessa putaria cósmica que eu intimamente chamo de "purgatório astral".

Se for breve, que venha, derrube, arraste e varra daqui essa preguiça. Eu quero é mais engolir todas essas opções e regorgitar um menu de auto-indulgencia só meu. Enquanto isso, "é melhor ficar onde se está", como diria o Nichan, e observar. As dores devem ser vividas e as alegrias gozadas no seu tempo. As situações precisam decantar. Inclusive as Vênus mais botticellescas.

Ver e ouvir mais. Falar e opinar menos.

Enquanto isso, é bom olhar um pouco ao redor e flertar com mundos alheios e complementares. Acho que essa mesmice-azul, por ser jovem e não ter a camada de pó das decepções da "meia-idade", ainda tem o poder de enrubescer a cada mundo descoberto.

"Deixe acontecer, Diana. Fique onde está. De preferência com os pés bem fincados no chão."


ps: produçãããão, alguém trouxe a cordinha de cena?!



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